quarta-feira, 2 de setembro de 2009

UMA CARTA AO HOMEM GRANDE

Cresceste tanto em mim que já não acredito poder ver-te cá fora.
Queria dizer-te uma equação com valores muito queridos,
uma história simples que eu pudesse contar.
Homem grande, esquece!
O meu silêncio é tristeza e o hoje é um barco
desamparado nas mais líquidas de todas as águas.
Estou aqui mas não me sinto a existir.
Só sinto a dor difusa do martelar antigo e sinto a vibração estéril de ondas de medo disfarçado de vida.
Não esperes.
Deixei-me distrair tantas vezes a brincar que eu era eu, que aquele lugar de nada
ficou de reservas para nunca mais.
Homem grande!
E se me contasses tu uma história?

sexta-feira, 17 de julho de 2009

PRAÇA POP

Para sempre estarei aqui e nada farei nunca para arrastar o aqui comigo para outros espaços que sonhe.Esta não é uma promessa vã nem uma tarefa a cumprir; é o resultado da inevitabilidade de estar aqui em mim para sempre.

Já agora porquê o impulso de contornar um lago que no fundo pode ter vida e cor e cardumes de surpresas e forças de naturezas ferozes de desejo.Não é uma pergunta que faço, é uma questão que pende sobre um lugar comum, onde eu não sei dizer se estou.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

PENSEI

Que sorte proferiste, que destino acaba aqui? Como pode a mesma manhã amanhecer tantas vezes dentro do meu despertar? Estava a sonhar contigo e acordei. Não disse nada ao sonho e continuei a amar-te, inadvertidamente.

Enganei-me bem enganada, ao pensar que vivia de facto. Vi uma sombra e contei-lhe dimensões a mais. Todos os reflexos, e as vibrações, são impressões que um anjo me ofereceu, só por eu acreditar.

Fiquei três linhas calada.

Pensei que a cor não se devia reflectir em nenhuma janela. Pensei que é tão fácil puxar os pés à tristeza.

sábado, 25 de abril de 2009

SIM?

porque vens a esta hora, se o tempo foi a correr à fonte e partiu uma perna?
ainda para lá anda ao pé coxinho
ficámos aqui todos abandonados sem saber a quantas estamos,
sem saber como fazer o que temos de fazer.

vozes afogadas no fundo do poço
sussurros que se ouvem como gritos

avançar para que amanhã, se o tempo parou?


e se as vozes não calam a dor que se sente?

sexta-feira, 3 de abril de 2009

TODOS; TODOS OS DIAS

Se as flores se lembrassem do primeiro beijo
Se o pólen perfumasse o teu sentir
...sabes que todos os dias aqui venho

Não chores a dor dos outros

Não sorrias por amor

Se as flores se abraçassem
Se o jardim perdoasse
Se voltasses
Reconhecias na minha ausência
Eu estar aqui todos os dias
A olhar para o que te vejo

(E as flores são só molduras)
(O jardim é só pouco mais que a vida)

quarta-feira, 25 de março de 2009

SEMPRE VI O MAR AO LONGE

Sempre amei quem nunca vinha.
Da vida tenho a demora, o atraso, a bússola partida, a lentidão de quem não sabe que o deserto acaba a toda a volta.

quinta-feira, 19 de março de 2009

TU E EU E O LADO DE LÁ DE TUDO O RESTO

Ou então fecho-te a porta e nunca mais te deixo sair.
Levaste-me ao parque dos tristes e abandonaste-me em regressos.
Só és assim porque eu mereço ou amas-me como se eu fosse verdade?
Desculpa se me dirijo a ti sem artes meias.
É que nunca soube manter a companhia e fico ansiosa de te perder inevitavelmente.
Quase choro só de pensar em perder o que de ti resta em mim.
És mais o sol que o sol que o verão conhece.
É por ti o calor que sinto poro sim poro não.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

SRM

Passava sozinha pela avenida marginal da vida.
Vi-te.
Ainda te vejo.
És a onda mais rebelde que bate contra a areia fininha, sem magoar.
És a vela branca do barco que se faz ao vento e nunca desiste de chegar onde o coração quer ir.
És um feixe de luz do sol que se põe com doçura e iluminas a alma do pobre.
És a sereia cantando verdades.
És a mulher que se banha sozinha sem medo da noite que cai.
O golfinho que salta por cima da tristeza e mergulha num mar de vida.
És muito mais.